quarta-feira, 23 de novembro de 2011

O Gênio/Mago Alan Moore falando sobre ARTE e MAGIA




Sobre Arte e Magia

Toda a arte e impulso criativo humano devem ter dado seus primeiros passos dentro da esfera da magia, sendo percebidos, em primeiro lugar, como tal.

As raízes da arte são distantes e obscuras. Os primeiros poemas, danças, imagens e sons estruturados não foram registrados exceto em lendas e tradições; na nódoa ocre na parede de uma caverna que, de certa forma, era a espinha curvada de um bisão para sua audiência inicial. Não podemos mais calcular o impacto que esses saltos de abstração devem ter tido sobre a mente paleolítica: os súbitos significados pelos quais se apreendia um campo de pensamentos e conceitos novo e fabuloso, tão verdadeiro e imediato quanto os caminhos sujos e abarrotados percorridos pelo homem primitivo diariamente, talvez menos substancial e, assim, menos vulnerável ao tempo e às estações.

A primeira codificação da dura realidade pessoal do homem primitivo em sons e símbolos deve ter oferecido um poder de comunicação alienígena e sem precedentes ao seu usuário, talvez equivalente ao que a telepatia pareceria para nós. O primeiro a captar alguma verdade inata do mundo humano dentro das linhas de um desenho ou da dança propeliria sua audiência através de um plano de compreensão e percepção diferente, mais extremo do que os efeitos de qualquer droga. Os desenhos nas paredes das cavernas de Lascaux, independentemente de qualquer significância ritual que pudessem ter, são em si mesmos um ato de magia. Para aqueles que não tinham o conceito prévio de uma imagem manufaturada, deve ter parecido que animais saltitantes foram conjurados em carne e osso e manifestaram-se dentro da própria caverna.

Se esta parece uma interpretação extrema de nossa primeira resposta para a arte, considere um exemplo posterior: quando Winsor McCay, um artista creditado com a invenção do desenho animado, exibiu pela primeira vez seu protótipo Gertie, the dinosaur, em 1914, a reação da audiência foi instrutiva. Sem o aparato perceptivo necessário para aceitar a noção de um desenho de animais, a maior parte da audiência, ao contrário, acreditou que estava testemunhando a aparição de um dinossauro real, de carne e osso sobre o palco diante dela.


Alan Moore

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terça-feira, 20 de setembro de 2011

primeira passagem do Morbid Angel por BH.





Achei alguns itens valiosos na papeleira minha e do meu irmão.
Muitas lembranças ótimas dos anos 90, em especial nosso glorioso show do Morbid Angel. 
Foi numa sexta feira, 12 de abril de 1991. abertura das bandas Sextrash e Sarcófago. Ginásio do Ginástico.
Na foto, meu clipping da época, coisa habitual, de acompanhar as bandas que amávamos, juntando matérias, releases e o ingresso original, claro!
Acho que meu irmão ainda tem a camiseta da tour, se não tiver poído e virado pano de chão de tanto usar..rs
na  foto, David Vincent, Trey Azagoth e Pete Sandoval caminham pelas ruas do Brasil.(fonte internet).


segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Festival Setembro Negro. 10 de setembro de 2011. Com as bandas Sarcasmo, Ragnarok, Belphegor e Morbid Angel


A mais recente versão do festival Setembro Negro passou por Belo Horizonte com uma torrente de acontecimentos que só eternizou essa edição do festival. Todas positivas, é claro. Fomos agraciados com as apresentações das bandas: Sarcasmo, Ragnarok, Belphegor e Morbid Angel.
Com horário do show antecipado às pressas, as bandas Sarcasmo e Ragnarok, foram prejudicadas, encurtando demais o set list das mesmas. Muita gente ainda estava de fora do local e perdeu a apresentação louvável da banda mineira e dos noruegueses.
Belphegor também fez uma apresentação reduzida, mas impecável. O local já estava completamente lotado, mesmo assim muita gente que ainda estava na fila para entrar, perdeu parte da monumental apresentação.
A Banda despejou um dilúvio de temas que deixou o público imerso na massa sonora, pesada e bem executada. A brutalidade do Belphegor ao vivo é de ordem grandiosa. Numa apresentação impecável, foi perceptível a emoção dos músicos para com a platéia. A resposta foi dada pela horda que cantava num bloco único de vozes os hinos da banda austríaca.
O tão esperado show do Morbid Angel em Belo Horizonte trazia para essa edição do Setembro Negro uma tenebrosa sombra de dúvidas.  Superava até a própria alegria dos fãs do gênero extremo da música em revê-los no palco. Vieram mostrar serviço no Ginásio do Ginástico em 1991, fui presença ocular nesse evento monumental, conferi de perto essa lenda da música extrema dividindo o palco com uma das mais importantes bandas do planeta no gênero. A cultuada banda Sarcófago.
Mas não houve saudosismo. Essa apresentação encerrou no limbo as especulações infantis e primitivas de quem esperava pouco dessa fase do Morbid Angel. Destruiu o núcleo dessas informações e dissipou o “mal estar” que envolveu as notícias que tentaram manchar esses 20 anos de trabalho.
O baixista e vocalista David Vincent ficou um bom tempo longe da banda, de 2003 até 2011. Some isso ao polêmico novo álbum da banda, "Illud Divinum Insanus", que traz o primeiro lançamento do grupo e retorno de Vincent desde último disco em 1995 - Domination. Um disco que mostra um foco para experimentações que vão além do que as bandas desse gênero costumam pautar. Para fechar a gama de eventos que alimentavam essas conversas moles, sai o baterista Pete Sandoval, afastado por agravante de saúde (após uma extensa cirurgia nas costas por conta de uma hérnia de disco). Entra Tim Yeung para honrar as baquetas. E o faz com a fúria de um implacável deus. Ao vivo sua atuação tem plasticidade e maestria. Brindou com louvor a cadeira de Pete Sandoval.
O show mostrou que essa monstruosa sombra, de especulações pífias, era só imaginação negativa dos fracos.
Num set list estarrecedor, que privilegiou os clássicos (coroados pelos discos Blessed are the Sick, Covenant e Altar of Madness), nem as novas e tão temidas músicas estiveram em desarmonia com as antigas.
A empatia de Vincent com o público era o ponto alto dessa passagem vitoriosa do Morbid Angel por BH.
O direcionamento que seguiu a banda, tendo como ponto de partida uma produção artística apontada para a evolução, teve efeito concreto e dinâmico, deixando os fãs tradicionalistas absolutamente silenciados, com as bocas costuradas pelo impacto do show e músicas novas. O silêncio desses, que engoliram à força esse exemplo do metal extremo em criativa expansão, mal foi percebido. A outra parcela de fãs, que aprova experimentações ousadas e caminhos inteligentes para a música extrema, se preocupou em delirar, não só com o material novo do Morbid Angel, mas com o show incrível e inesquecível. Equilibrou numa balança justa a trajetória de uma banda que há décadas cospe na cara dos seus críticos a máxima que: mudanças, coragem e inteligência, só materializam um magnífico resultado.


Por Ed França.
foto: Sérgio Wildhagen.
*escrevi esta resenha especialmente para a revista Rock Brigade.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Monange Dream Fashion Tour, Chevrolet Hall, 18 de Junho, Belo Horizonte.



Por Ed frança 
Fotos Renato Audrey

A sétima etapa do Monange Dream Fashion Tour desembarcou sábado, 18, em Belo Horizonte. Com a proposta de mesclar cultura pop, glamour, agitação e beleza, o Monange Dream Fashion Tour trouxe para a capital mineira um evento sofisticado, reunindo a harmonia contagiante da música com a estética do mundo da moda, criando uma experiência que tem dado sucesso.
O ator Eriberto Leão, um dos atores principais da novela “Insensato Coração”, fez a apresentação do evento. Interagindo e animando a platéia, o ator distribuiu brindes especiais, preparados exclusivamente para o Dream Fashion Tour,  levantando o astral do público que lotou o Chevrolet Hall.
Mas quem embalou o desfile das beldades e trouxe uma alegria visceral, foi a banda Capital Inicial. A banda esteve presente em todas as seis apresentações anteriores do evento.
Os hits famosos, “Natasha”, “Independência”, “Fogo”, assim como versões meio acústicas de outras canções conhecidas, até mais pesadas, como “Veraneio Vascaína”, ilustravam o desfile de Isabeli Fontana, Ana Beatriz Barros, Izabel Goulart e outras modelos, que cantavam as músicas com charme e alegria enquanto desfilavam. O público mineiro compartilhou cantando junto, gritando a cada entrada das garotas. A noite tomou um ar todo especial quando o vocalista Dinho Ouro Preto brindou o aniversário de Fê Lemos, um dos integrantes da banda.
As modelos fecharam a noite desfilando na passarela com a bandeira do Brasil, emocionando todos os presentes que prestigiaram esse belíssimo evento.
Com esse formato itinerante e toda a sua grandiosa estrutura, o Monange Dream Fashion Tour segue para Fortaleza, que no dia 02 de Julho, receberá essa fantástica produção, que reuniu o mundo da moda e música pop com maestria. Sabemos que no fim das contas, em time que está ganhando não se mexe! No caso do Monange Dream Fashion, vai um pouco além, pois tem uma verdadeira seleção, o que promete vida longa ao evento. Certamente teremos futuras apresentações na capital mineira!
O Monange Dream Fashion Tour é organizado pela Mega Model em parceria com a Rede Globo e tem o patrocínio de Monange.

Cobertura que fiz essa semana para a revista Nota Independente.

Mais informações no site:





* última foto é divulgação do prórpio site do evento.

Mayhem e Taake, Belo Horizonte, 12 de março 2011



Por Ed França.
Fotos de Renato Audrey

Belo Horizonte foi coroada com a apresentação de uma lenda viva do metal extremo mundial.  Numa noite de clima agradável, sem bandas de abertura, dentro do horário previsto, só pareceu faltar um público maior para conferir um evento tão esperado.

Ao subir o palco, o Taake mostrou garra e boa performance. Com um repertório coeso, como um tiro de escopeta, acertou o crânio dos incautos que estavam nas primeiras filas, sinalizando que, mesmo sendo bem mais jovens que os headlines do Mayhem, não vieram para decepcionar. Formada na década de noventa por Ulvhedin Høst (Ravengod, DeathCult e Ragnarok), a banda Taake conquistou uma horda de fãs pelo mundo afora feito doença contagiosa. Ganhou rapidamente o respeito do público e crítica especializada. Superou as expectativas.

Os Noruegueses do Mayhem, que dispensam comentários acerca de sua trajetória obscura, polêmica e maldita, despejaram toda carga lírica e caótica nos fãs que conferiram essa apresentação sinistra com requintes teatrais.

Com um repertório variando entre clássicos e composições do último trabalho do grupo, chamado “ Ordo Ad Chao”, vomitaram todo o ódio e raiva num set list que presenteou o público mineiro com “Troops of Doom” do Sepultura. Apesar de músicas antigas como “Funeral Fog” e “Carnage” não constarem no set list, executaram “Freezing Moon”, “Deathcrush” e “De Misteriis Dom Sathanas”, celebradas pelo coro da horda presente.

O público acompanhava cada acorde dos guitars Morfeus Teloch, seguindo seus movimentos e cantando todos os Hinos sem perder a atenção no Baterista e lenda viva Hellhammer.  Vale lembrar que Teloch sempre foi um velho amigo dos integrantes do Mayhem, atuou em muitas bandas de metal extremo na Noruega e entrou para a fraternidade Mayhem nessa tour substituindo Silmaeth, que assumia as guitarras nos últimos anos e foi desenvolver sua carreira musical em outros círculos musicais, com o amigável consentimento dos integrantes do Mayhem.

A aura sombria que envolve a presença de palco dessa banda parece ganhar mais densidade com a imponente postura do vocalista Atilla Csihar, front man que irradia um magnetismo que opera numa freqüência nefasta, potencialmente alavancada por sua poderosa voz. Durante a execução das músicas é fácil mergulhar nas sonoridades variadas e texturas vocálicas múltiplas, que passavam do gutural ao ultra rasgado. Mesmo a soberba performance de Atilla não foi suficiente para deixar de imaginar como seria o velho Mayhem, com seus  inesquecíveis Euronyumous e Dead, muito presentes na memória dos fãs xiitas e saudosistas, que classificam o Mayhem atual como uma sombra turva do que já fora, quando esses antigos membros caminhavam  entre a escória humana dando vida aos capítulos mais sangrentos, porém muito mais criativos e interessantes, no legado  sombrio desta banda que  escreveu as páginas mais caóticas no livro do metal extremo mundial.

Line-up atual do Mayhem:
Atilla Csihar - vocais
Hellhammer - Bateria
Necrobutcher - baixo
Morfeus - guitarra
Teloch – guitarra


Set List Mayhem executado em BH:

Pagan Fears
Ancient Skin
My Death
Cursed in Eternity
A Time To Die
View From Hell
Iluminatti Eliminate
Anti
Freezing Moon
Silvester Anfang
Deathcrush
Buried By Time and Dust
Chainsaw Gutsfuck
Troops of Doom
De Mysteriis Dom Sathanas
Pure Fucking Armageddon




cobertura do show que fiz para a revista Rock Brigade em 12 de março de 2011.

Placebo, Marduk, Ad Hominem, Calvary Death resenha dos shows de abril de 2010

Placebo
16 de Abril, Belo Horizonte/MG
 
Por Ed França 
foto Renato Audrey
 
Placebo subiu ao palco dentro do horário previsto, o que surpreendeu muita gente que ainda chegava ao local. A ausência de bandas de abertura na passagem por Belo Horizonte tornou a expectativa da espera menos acentuada para os que adentravam o Chevrolet Hall. Abriram o show com músicas que promovem o álbum Battle For The Sun e, o que impressionou à primeira vista, foi o retorno imediato dos fãs que recebiam extasiados as músicas da banda inglesa.
 
Ao executar a música Devil In The Details, o Placebo parecia realmente anunciar que o detalhe estaria nesse link direto entre a banda e seus admiradores. E o grande detalhe é justamente o coro dos fãs que acompanhavam sem perder um verso sequer. Cantavam com Brian Molko como se fossem um só corpo, uma só voz.
 
Seria esse o trunfo da banda Placebo? Uma banda de rock alternativo que atinge um leque diversificado de fãs, dos “teenagers” aos adultos exigentes e critério apurado, desses que identificam raras bandas entre as zilhões que pipocam na mesmice do cenário e coroam instantaneamente com status de banda cult? Ou até mesmo por um ícone da música como “David Bowie”, que abraçou a banda como fez tão poucas vezes publicamente ao ponto de querer até gravar um vídeo com a banda? Seria o perfil andrógino e magnético que encarnam Brian Molko e também Stefan Olsdal? Estaria a resposta na soma desses detalhes que se
agregam e resultam numa possível química musical inebriante?
 
Detalhes que figuravam nas lágrimas dos meninos e meninas espremidos nas primeiras filas, gritando paixão ao vocalista e guitarrista Brian Molko e ao que sua aparição provocava ali naquela noite. A presença do novo baterista (Steve Forrest) também não passou despercebida, sendo um detalhe aguardado pelos que acompanham a trajetória da banda desde a formação antiga.
 
Outro detalhe que quase nunca nos damos conta é a presença de músicos convidados para essas grandes agendas de shows. O que não foi o caso de Fiona Brice. Vestida de branco, lembrava um ser angelical destilando notas que sangravam o violino, amplificando a dramaticidade do espetáculo. Sua delicada participação exalava tons adocicados que contrabalanceavam com a fúria sonora e ríspida das bases de guitarra e voz melancólica de Brian Molko.
 
Placebo deixa o palco e um vídeo acompanha os momentos de incerteza sobre um improvável fim de show. Enquanto as pessoas se questionavam se teria acabado, uma bailarina seminua dançava num cenário desconcertante e soturno. O detalhe nem era seu corpo escultural, curvas sinuosas e intrigantes, nem sua tristeza aparente, mas seu micro adereço vermelho, que delineava um formato propositalmente fálico!!! Imersos nas hipnóticas imagens, poucos percebem o retorno da banda nos minutos seguintes. Placebo fechou o set list na capital mineira com poucos hits. Every You and Every Me, Taste In Men e Special K abriram sorrisos entre os fãs antigos da banda e o repertório foi o mesmo utilizado em Porto Alegre. O grupo apresentou um total de 20 músicas, apenas duas músicas foram diferenciadas da apresentação de quarta, em Curitiba. A turnê brasileira acabaria então no sábado, dia 17 em São Paulo.
 
Confira o set list da apresentação de Belo Horizonte/ MG:
For What It’s Worth
Ashtray Heart
Battle For The Sun
Soulmates
Speak In Tongues
Follow The Cops Back Home
Every You Every Me
Special Needs
Breathe Underwater
Julien
The Never-Ending Why
Bright Lights
Devil In The Details
Meds
Song To Say Goodbye
Special K
The Bitter End
BIS
Trigger Happy
Infra-Red
Taste In Men

cobertura do show para a revista Rock Brigade em abril de 2010.

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MARDUK, AD HOMINEM, CALVARY DEATH 


Belo Horizonte, 17 de abril
Por Ed França
Quase vinte anos passaram e o Calvary Death insiste em reafirmar seu lugar no cenário do death metal nacional mostrando que ainda estão produzindo e tocando ao vivo. A banda abriu o show com músicas do álbum mais recente (Serpent, 2009) mesclando com canções dos álbuns anteriores. Com uma apresentação que atingia mais de 40 minutos, deram seu recado com um death metal técnico e uma quantidade enorme de solos de guitarra. Força, garra e vontade das bandas provenientes do interior, encerram a máxima que, na perseverança e foco trazemos à tona o respeito dos que acompanham a evolução desse estilo, onde a música extrema coleciona pouco apoio em terras brazucas.
Ad Hominem despertou a curiosidade do público muito antes de subirem ao palco. Discussões e posts dos admiradores da banda em sites de relacionamento social indicavam o receio de algum tumulto bem antes da banda chegar. Pessoas comentavam o direcionamento ideológico polêmico que o grupo conduz, mas o que parecia o início de um clima tenso caiu por terra. Os franceses mostraram não só uma execução brilhante, mas também carisma e alegria de se apresentarem em Belo Horizonte. Terminando o show circularam pela platéia como se estivessem em casa. Algumas pessoas vieram de SP, após o show da noite anterior, para uma vez mais assistir o Ad Hominem. Arrisquei frases com alguns membros da banda; demonstraram atenção e satisfação por tocarem com o Marduk naquela noite. A banda foi criada por Kaiser Wodhanaz (vocal e baixo) em território francês e vieram divulgar o álbum Dictator - A Monument Of Glory.
Em sua quarta passagem pelo Brasil o Marduk comemora 20 anos de banda e promove o álbum Wormwood, seu décimo primeiro de estúdio além de três petardos lançados ao vivo. Proveniente da Suécia, a banda foi concebida no fim da década de 80. Seguida por uma legião de fãs pelo mundo, espalham o extremo Black Metal por onde passam, abusando das temáticas sobre guerras com letras que também repelem as religiões cristãs. Munidos de “corpse paint”, a formação já não é a mesma do começo restando apenas o guitarrista Morgan "Evil" Steinmeyer
Håkansson, dos músicos originais.
Iniciaram a guerra com With Satan And Victorious Weapons, mas pequenos problemas técnicos interromperam o show nas duas primeiras músicas, o que esfriou um pouco o ânimo daqueles que estavam ávidos pelo retorno da banda à capital mineira. A ótima presença de palco do vocalista Moortus e sua tentativa ininterrupta de se comunicar com seus fãs foram os destaques dessa apresentação, além de sua poderosa voz. Destilaram uma seqüência de clássicos que fez tremer o local. Estavam todas lá: Azrael, Still Fucking Dead e Levelling Dust, sem esquecer que, tocadas ao vivo, as canções atingiram um velocidade absurda... Era simplesmente uma divisão de tanques Panzer, feitos de massa sonora, devastando os tímpanos dos presentes.
Dando continuidade ao repertório, arremessavam músicas do último disco Wormwood sem descanso. O ponto alto do show foi justamente a clássica Baptism By Fire. Imerso no clima denso que imperava, não parecia uma legião de fãs gritando, e sim uma infantaria de guerra, advindos de uma escura dimensão. Com um set list semelhante ao dos shows anteriores (inclusive Bulgária em Janeiro desse ano) tocaram quase as mesmas músicas variando apenas na ordem das mesmas. Apesar do público reduzido mas fiel, foi mais uma noite inesquecível forjada ao som de black metal e death metal em Belo Horizonte.
Segue abaixo o set list do Marduk em BH:
With Satan And Victorious Weapons
On Darkened Wings
Into Utter Madness
Blooddawn
Still Fucking Dead
Beyond The Grace Of God
Materialized in Stone
Phosphorous Redeemer
Azrael
The Levelling Dust
Baptism By Fire
To Redirect Perdition
Steel Inferno
Wolves
Encore
Throne Of Rats
cobertura que fiz para a revista Rock Brigade, 17 abril de 2010.

Rotting Christ entrevista com Sakis, de 2006

Por Ed França

A Grécia foi o berço da democracia e um dos centros da cultura humana, e mesmo hoje , ainda nos presenteia com um nome de força e expressão para a música pesada. Aclamado mundialmente, formado em 1987 pelos irmãos Sakis e Themis Tolis, o Rotting Christ começou seguindo as influências dos primeiros ícones do black metal, como Venom, Celtic Frost e Bathory.Estréiam em 1991 com o EP "Passage To Arcturo", trabalho que logo estabilizou o Rotting Christ como um dos pioneiros da segunda geração do black metal.A banda evoluiu muito desde então, musicalmente e também com letras inteligentes e uma filosofia considerada   obscura para os preceitos cristãos.  Mudanças não só de gravadoras , mas também em sua formação não abalaram o crescimento do grupo. Foram quase duas décadas de metal extremo com um caminho ascendente culminado no último trabalho intitulado "Sanctus Diavolos" . Estiveram no Brasil em 1998 pra uma excursão na América do Sul. De volta ao Brasil esse ano, promovendo o re-lançamento mundial do cd dulpo "Passage to Arcturo/ No Servian ", a banda amplia mais ainda suas fronteiras passando por Belo horizonte saciando a sede de tantos fãs que a banda tem por aqui.
 O guitarrista e vocalista Sakis demonstrou um bom humor imenso e com umaalegria visível troca figurinhas nessa entrevista sobre a passagem ao Brasil;

*Qual a impressao de vocês ao se apresentarem num país tão cristão como o Brasil?

Sakis: Me sinto ótimo em tocar aqui, é muito parecido com a Grécia a questão da cultura   Cristã..lá também é muito forte.
Acho ótimo que no Brasil pessoas, bandas, se mobilizem para que aconteça uma mudança em suas vidas, uma revolução interior para abrir suas mentes. È um grande prazer tocar no Brasil por causa disso.

*Os fãs da banda esperavam com ansiedade um show de vocês aqui em Belo horizonte, prepararam algo especial pra essa turnê
No Brasil?

Sakis: È a primeira vez que tocamos aqui em Belo Horizonte, estamos muito felizes com isso e com certeza preparamos algo especial.
Claro que não vamos tocar nenhum cover do Sepultura (risos), mas estamos felizes de tocar na cidade deles...

*Quais as lembranças que guardam da passagem do Rotting Christ pelo Brasil? já se passaram quase 10 anos (1998)...

Sakis:Realmente adoramos o Brasil...mas isso não é só um elogio! O clima é ótimo, os brasileiros   nos lembram o povo grego , são muito atenciosos, têm a mesma mentalidade e são abertos a opiniões. Mesmo depois desses anos passados a impressão é a mesma me sentindo à vontade como da outra vez. Estamos vivendo um momento ótimo em nossa carreira e com certeza o Brasil será novamente um local de retorno em futuras apresentações. Sem contar os amigos que fizemos aqui...

*Alguma banda nova daqui despertou sua curiosidade?

Sakis: Conheço muitas bandas brasileiras . é claro que conhecemos sobre o Sepultura ...etc...mas com certeza uma banda para falar é o Krisium que tem um som extremo   e o os caras da banda são muito legais com a gente.



www.rottingchrist.com

a banda contava com a seguinte formação:
Sakis : vocais /guitarra
Andreas Lagios: baixo
Themis Tolis: Bateria
George Bokos: guitarra


Colaboraram para
realização dessa matéria:
Rodrigo Ribeiro
André Schirm (fotos)

essa entrevista fiz para a revista Nota Independente em maio de 2006. vou procurar nos meus arquivos as fotos que o andré fez comigo e os caras da banda. Eles foram os mais gente fina que conheci até hoje, entrevistando bandas do cenário pesado, assim como os caras do Morbid Angel.



quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

CINZA ALBATROZ



Albatroz...
vôo cinza em horizonte granulado, 
navalha incolor no vento que corta os pensamentos em dor. 
O silêncio não era nem preto, nem branco...
era cinza... 
Cinza Albatroz.

( Ed França/2011)






foto by André Schrim
poesia by Ed frança Fev/2011