domingo, 4 de janeiro de 2009

pra toda dor teve cura, menos pra alma



pra toda dor teve cura, menos pra alma
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voaram pra longe todos os tempos,
todas as dores,
todos...
pra onde foi toda energia?
pra onde foi toda as vontade?
pra onde foi todo meu esforço?
e meu sorriso?
as minhas lágrimas?
os meus ensejos?
e voce?
estaria também assim tão sem nada?
eu penso em seus lábios enquanto deslizo nesse mergulho
é tão sozinho quanto os dias que ninguém me viu calar
essas nuvens de inconstâncias me afagam sem que eu peça nem mereça...
ja não atinjo as alturas
nem o vento me recebe mais
me nega os céus meu ímpeto
que outrora te envolveu
o horizonte se perdendo como suas lembranças...
se eu gritasse voce não escutaria
se eu implorasse voce duvidaria
se eu amasse voce trairia
se eu chorasse voce silenciaria
se eu mimasse voce gemeria
mas se eu te deixasse voce não esqueceria
E se eu tivesse a sorte de não ter perdido
barganharia com a morte minhas preciosas asas e virtudes vazias
pelo teu cheiro,
teu gosto
e meus últimos instantes
solitário como agora mas em sua companhia.
Ed França, 2009.
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na imagem: uma dessas visões que fez a tarde cinzenta e chuvosa de BH ficar ainda mais melancólica, ja não bastasse os moradores de rua
...e ninguém pra velar esse pássaro em cima do lixo...Como minha auto-estima poderia lamentar, bem ao certo!
Nó na garganta até da lente do meu celular tosco que registrou o fato...
. no som: Anathema_angels walk among us.
. no texto: poesia de Ed França, 2009.
. nos dias: precisa comentar? que ao menos voce que lê tenha um feliz 2009, pois os anjos caídos, meu caro...sem comnetários!....
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Um comentário:

Bruna disse...

Lindo seu poema, Ed!!
Essa imagem do passarinho morto, me sensibilizou. É tão duro quando vemos que deixamos de valorizar tanto a vida com um todo, que deixamos de perceber um ser, qualquer que seja, morto. Um ser morto e no lixo. Quantas pessoas passaram por esse local e nem sequer notaram o passarinho?
Mais triste ainda é pensar, que outros seres iguais a nós, outros homo sapiens estão mortos e seus corpos no lixo, por qualquer guerra vã.