segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Rompante

Rompante

Meu bem, hoje preciso fechar meu quarto
Guardar a chave dos desejos ostentosos
Eu preciso dizer da flor insuficiente
Que almeja selar minha boca com um só beijo

A chuva na rua diz para deixar as esquinas passadas
Lavar a calçada com água limpa de uma moral pura
E perder minhas aventuras na memória

Eu enrodilho como vento no vira-mudo afora
Arrastando minha face maquiada
Que sem olhos segue a multidão em fúria
Gritando junto pelas vicitudes que eu não tinha

Meu bem, quando soltaram minhas mãos
Eu ainda não sabia usar as pernas
Andando, achei o mundo pequeno
Passei sob o lodo que a água parada deixa
Sem uma janela pro vento bater
Sem ter uma pedra para quebrar os muros
dos campos de concentração

Meu bem, se você fizer com esmere a lição
O mundo lhe dará em formato de caridade
O livro dos dias, dos caminhos certeiros
E você será belo ao modo moderno
Tal como o tempo, eternizado numa rocha
Sobre as graças de um amor concedido
E de uma compaixão mendigada
Sob as palmas de mãos que lhe emprestam
Uma dignidade cabível, sem grandes esforços.

poema de autoria da amiga Karine KKK.
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. nos dias : cheiro de cappuccino regado a cabelos negros e compridos e véspera de feriado. como se me pertencesse o que por lei é de outra pessoa...
. no som: HIM_in joy and sorrow.


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2 comentários:

goitacá disse...

sim o amor não existe...a alma e o desejo carnal sim...Viva Rimbaud!

Obs.:gosto do poema!

Letícia Banhos disse...

Adoro! Super verdade! As pessoas demoram para descobrir que amor é doar o tempo para qualquer pessoa. É ter amor em si e respeitar o próximo. E não uma selva de epiléticos. Beijos! Adorei encontrar o texto! Obrigada!