quarta-feira, 18 de junho de 2008

Colagens; Técnica mista e alma angustiada sobre papel

Imagens de cadernos de colagens


Nos cadernos de anotações que tenho há quase 2 décadas, eventualmente, surgem colagens e montagens com fotos mescladas com outras técnicas, além de rascunhos para trabalhos ou pinturas que seriam posteriormente executadas em formato maior, rabiscos ou até mesmo esboços feitos apenas pra ficar ali no caderno e nunca serem vistos...
Algumas dessa colagens serão postadas aqui constantemente...coisas que não coloco no site oficial.
















. nas imagens: colagens dos cadernos de Ed França. Essas são de 1996 até 1999. no site oficial tem todos as fichas técnicas precisas...veja aqui
. no som: Siouxsie and the Banshees_Cities in Dust
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terça-feira, 17 de junho de 2008

afogando no blue velvet detergente





"...Em tempos de guerra, a delicadeza da obra de Ed França, como uma das últimas testemunhas dos desencantos contemporâneos.


Desertos humanos, mundos em decomposição, raios solares fragmentados, cubos isolantes, identidades condensadas, definições abruptas, prisões solitárias, amores cortantes, espaços abertos, feridas marrons separando pesadelos, vestígios de vida suspensos na memória de tempos menos líquidos, mundos periféricos, o sol - oh tantos soís - se afogando no blue velvet detergente."



Tânia Alice Feix



*Tania Alice Feix é escritora, diretora teatral e professora-doutora em Letras e Artes pela Universidade de Aix-Marseille I (França).

Atualmente, é professora de Artes Cênicas na Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). Escreveu e dirigiu "Um breve retrato da dor (dá pra sentir)" e "Ser Ou Não Ser. Com" (CE). Publicou o livro infantil “Todo mundo sabe!” com ilustrações de Christophe Esnault e vários contos, poesias e ensaios em revistas, jornais e na internet.

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. na imagem: detalhe de trabalho da série Cubos, site oficial voce confere!...clique aqui
. no som: Marilyn Manson _Heart Shaped Glasses.
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segunda-feira, 2 de junho de 2008

Se a dor é vermelha qual seria a cor da sua frustração?



O marrom criou uma reverberação em mim.
Ele existe.
Quem disse que a dor vermelha
ainda não viu esse silêncio de tom ocre.


Ed França


* Texto do caderno de anotações e rascunhos do artista Ed França, da série “marrons”, de 1996.
Mais tarde entraria para os catálogos de exposições da série.
























. nas imagens: sem título. acrílica sobre tela, série "Marrons" 1996. Ed França.
mais informações, datas e tamanho das obras no site oficial do artista aqui
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. no texto: poema que fez parte do catálogo da série, 1996.
Cadernos de anotações e rascunhos de Ed França.
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. no som: NIN_the perfect drug.
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domingo, 1 de junho de 2008

Cubos, vazio interior em azuis melancólicos



Cubos

As pessoas criam mundos ao redor de si.
Mundos que se perpetuam em dimensão e profundidade.
Mundos para se proteger do que elas odeiam, ou para se refugiar no que elas amam.
Criam um universo de isolamento, que ao entrar, o sentimento pode ser de liberdade, vasto, eterno em suas pequenas dimensões físicas. Um quarto de adolescente pode ser uma galáxia para ele e seus temores com o externo.
Uma cela para um preso é um universo. Pequeno, oprimido e dilacerante.
Complexos interiores são universos que uma pessoa trafega, vagueia, se perde, se martiriza, enquanto se eterniza o cárcere problema. Pode ser um complexo minúsculo, bobo. mas para quem sofre é um cubo invisível, quase impossível de se libertar.

Outros vivem num cubículo aparentemente pequeno de sentimentos interiores. Mas que se perdem na extensa dimensão amorosa, onde latitudes e longitudes são, por assim dizer, imensuráveis. Esse é o universo dos que compreenderam a essência da palavra amor. Esse é o universo minúsculo demais para a grande maioria dos mortais, imersos em seu gigante e desproporcional ego.
Tomando minhas as palavras de Henrique Goldman, sigo o raciocínio:
“Presos ou solto, nós, seres humanos, somos muito cegos e sós. Quase nunca conseguimos transcender os nossos estreitos limites para enxergar os outros e a nós mesmos sem projetar o nosso próprio vulto na face alheia e a cara dos outros na nossa”. Como dizia Sartre, ironicamente: “O inferno são os outros”. E por isso sofremos tanto, perdidos e atordoados no labirinto escuro e gelado que não sabemos se é nosso ou alheio.

Ed França
*Texto criado para catálogo da série de trabalhos “Cubos”. 2002.



















nas imagens: série Cubos, acrílica sobre tela, 2004. Informações adicionais sobre tamanhos, datas, etc, no site oficial do artista, aqui.
no som: Penumbra_conception.
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