sábado, 31 de maio de 2008

shapes


Corpo e Solidão na série "Shapes"

A metáfora faz presente nesses exercícios.
Os desenhos que surgem como provas das experiências vividas pelos
próprios suportes (shapes) indicam a analogia usada: shape e corpo.
Os dois precisam de uma energia motora.
Corpos que passam a viver a medida que são impulsionados Por essa
energia; experimentando as dificuldades de sobreviver.
... como a trajetória percorrida pelo shape, enfrentando a matéria
concreta e suja, criando através do choque marcas e ranhuras
indefinidas. Como nos corpos que acumulam informações e registram
cicatrizes nos confrontos com a realidade e os sentimentos de angústia
e solidão.
Shape e corpo.
Os dois colecionando marcas no choque com a matéria que insiste em
torna-los inerte.


Ed França


Texto original "bruto" para a exposição "Desenho-como o
entendemos". Feito em Agosto de 99. Mais tarde sofreria mudanças para
a apresentação do trabalho.

*shape: corpo ou suporte de madeira utilizado como base para o skate.










imagens: série shapes, sem título, 21 x 80 cm, técnica mista sobre shape, 1998.
Ed França.

no texto: escritos de cadernos de artista que seriram como texto para catálogos de exposiçõe da série shapes entre 1996 e 2000.
no som: Type o negative_ love you to death.
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Os Anjos


Os anjos

Os anjos não migram.
Não são como os pássaros que procuram um lugar longe do frio.
Hoje descobri que os anjos se entristecem.
Os pássaros estão sempre alegres. Migram enquanto os anjos permanecem quietos e tristes... não por não poderem migrar. Também não por estarem parados, confinados no mesmo lugar.
Os pássaros buscam o sol, sua luz... Que os aquece.
Os anjos já encontraram sua luz. Somos nós.
Nós humanos somos o sol pra onde migram uma vez só os anjos.
E eles se entristecem ao perceber que esse sol, quase sempre se deixa apagar.
Bem-aventurados os que sabem que são sol...E não se deixam apagar.


Ed França


do Livro Anjos Poemas ( 2007)

na imagem: Ed França, foto de celular tosco, reprodução de estátua grega exposta na praça da liberdade, BH, nov, 2007.

no som: Ava Inferi_ A dança das ondas.

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sexta-feira, 30 de maio de 2008

Rota de Fuga



Rota de fuga



Todo deleite tem um pouco de abismo.
Eu que me inundo de tristeza em dias frios

já me acostumo aquecido num edredom de silêncio.

O que congela asas é lembrar do teu calor.

O jazz colore de azul as paredes do quarto

Adágio para dias cheios de nada...

Seriam nuvens esses dias estranhos?

Viajo na velocidade que a melancolia instituiu.
Acelero em desespero rumo ao nada.

Nem as placas escrito " eu te amo" consigo avistar.

São pequenos esses infinitos trajetos.

O suplício das asas num voar violento.

Desejos flamejantes maculam relações inflamáveis.

Combustão espontânea dos sonhos...

Nem lamento que se queime tanta vontade!

Quantos graus pra derreter o que sinto?

Seriam lágrimas queimando em kharma?

É esse o gosto da estrada maldita do amor...

Serpenteada de desilusões

sempre passíveis de erros.
É esse o gosto do vôo dos amantes?

Meu corpo que viaja sozinho agora

traz o vento frio como rota de fuga.
E eu lamento voar sem você

nesse céu de crepúsculo em chamas.



Ed França



. do livro Anjos Poemas (2008)

. na imagem: sem título, acrílica s/ tela, (1995)
Ed França
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quinta-feira, 29 de maio de 2008

para que as asas sangrem



Para que as asas sangrem


Para que as asas sangrem
é preciso que eu me faça abdicar do trono de ser seu amor.
Para que elas sangrem
eu preciso novamente não mais me deixar levar
pela natureza divina e não flutuar mais em estados de paz de espírito.
Para que você realmente veja o sangue sobre as minhas asas é preciso que minhas lágrimas sejam estancadas.
E essa estaca de insegurança me seja cravada.
E foi num intervalo de tempo de mergulho em abismo que as asas sangraram.
Vendo evaporar sob olhos cansados
a história mais bela que me ocorreu
e só ficou o silêncio, a distância, e um par de asas sangrando
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Ed França



. do livro Anjos Poemas (2008)

. na imagem: sem título, acrílica s/ tela, (1995)
pintura de Ed França
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terça-feira, 20 de maio de 2008

seja bem vindo ao meu blog!

Seja bem vindo, aqui você encontrará mais informação sobre meu trabalho na Arte Contemporânea,
Há tempos o tempo amorteceu a dor de estar tanto tempo só.
Só que tenho trocado os amortecedores com frequência, o que garante um SURF lindo pelo universo, com desapego e mente aberta!
até porque, o tempo não existe, é só uma convenção humana!
Assim como estar só também é uma ilusória convenção, tudo é UNO. E o um está no todo, ou em todos, como voce preferir...
Celebremos sua visita aqui,
Saúde!
Ed França